Leonardo Vieira e Simone Spoladore





SINOPSE

A tragédia da família do comerciante Mateus, sua mulher, Antônia e seus quatro filhos, todos assassinados num dia qualquer do final dos anos 1950, na jovem cidade de Goiânia. Menos a menina Ana, de dois anos, a única sobrevivente, testemunha dessa violência. O governo local, pressionado pela opinião pública, por sua vez pressiona a polícia por uma rápida solução. E as investigações ficam sob o comando de um ex-Oficial, chamado de Capitão, delegado de polícia. Acontece que o próprio Capitão poderia ser um dos suspeitos, pois se desentendera, até a briga, com o chefe de família assassinado. Mateus e seu irmão Pedro haviam aberto um armazém-bar na cidade, com dinheiro de agiotas. Logo no dia da inauguração o Capitão invade o bar com policiais e prende um bandido, Flexa, estragando a festa. Nesse mesmo dia o Capitão marcou sua implicância para com Mateus, vendo nas paredes as fotos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, políticos perigosos e de esquerda, segundo o Capitão. E essa implicância cresce quando o Capitão percebe que o bar vai se tornando um ponto de encontro de militantes esquerdistas, principalmente os líderes da organização dos motoristas de Ônibus. O país vive uma época conturbada, o fim da euforia da era juscelinista, de que Mateus é bem um exemplo, -- e a entrada no perigoso período de tentativas de golpe contra a posse do vice João Goulart. No dia da posse de João Goulart, contra a vontade dos militares, o Capitão surpreende Mateus com uma foto de João Goulart, dada pelos líderes dos motoristas que freqüentavam o bar. A descoberta leva o Capitão a exercer toda sua capacidade de provocar, tudo terminando numa briga feroz com Mateus.Como delegado, o Capitão dá seus rumos próprios às investigações, deixando curiosos entrarem na casa da família assassinada      e, depois, usando a sobrevivente Ana, de dois anos, como testemunha. Promete aos políticos uma solução e instaura uma verdadeira central de torturas em sua Delegacia. O primeiro acusado é o mendigo Piolim, freqüentador do bar. E depois o próprio irmão de Mateus, Pedro, como mandante e um ex-oficial, Altino, amigo de Pedro, desertor da marinha por razões políticas, como um dos assassinos. Sob tortura, todos assumem os crimes. Anos mais tarde, no Tribunal, Pedro denuncia a tortura, desmente as confissões e é liberado. Altino, temeroso diante das ameaças do Capitão, não tem coragem de desmentir e é condenado. Os verdadeiros culpados jamais foram encontrados nem publicamente identificados.