SINOPSE

No ano de 1979, com a Anistia decretada ainda pelo regime militar, o líder ANDRÉ SOARES, exilado desde o início dos anos 1970, retorna ao Brasil.
Seu grupo político é um pequeno grupo, de tendência radical, sobrevivente da luta armada iniciada pelo grupo em 1967 e derrotada em 1970. André foi preso, torturado e depois exilado.
Para ele, o reingresso no país vem carregado de incertezas. Pensa já não conhecer a realidade brasileira e encontra seu grupo marcado por certezas excessivas, além do radicalismo dos jovens que dominam o partido.
Por outro lado, reencontra a ex-mulher, LENA, bem casada, como um homem de publicidade que se enriqueceu nos anos 1970, período do “milagre brasileiro”, um desenvolvimento fortemente marcado pela modernização carregada pelo marketing e, principalmente, pela TV.
Sua filha Yara, agora com 15/16 anos, tem preocupações estranhas às expectativas de André: é consumista, fruto do surgimento de uma nova classe média, freqüentadora de shopping-centers e que usa uma linguagem carregada de gírias que André não conhece. Seus desencontros com a filha tornam ainda mais desconfortável a volta do exílio.
André procura um antigo amigo, BETO, que teria sido um de seus delatores. André quer mostrar a ele que o compreende, que nada tem contra ele, que foram vítimas da repressão. Mas encontra Beto destruído, carregado pela culpa. Beto exibe para ele m vídeo do programa de TV em que ele faz meã-culpa e denuncia seus companheiros.
André quer rediscutir a política de seu grupo: o país vive um momento de transformações,estoura o movimento operário do ABC com o surgimento de uma nova liderança, o Lula e o crescimento da participação de entidades da sociedade civil (OAB, ABI, Sindicatos, Igreja, etc.. Pensa em uma nova política, a necessidade de rediscutir o processo democrático, entender melhor os caminhos da luta democrática levada a efeito no país desde o fim da luta armada. O chefe de seu grupo, Santana, é um líder com histórico de participação mas que já não domina seu partido, tomado pelos jovens com idéias revolucionárias.
Mas o processo de abertura, em curso, tem também sua fragilidade: o medo do retrocesso.
E também o surgimento de grupos de repressão, que lembram as ações do antigo CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Um desses grupos persegue André. André reage, chega a identificar um dos seus perseguidores e André transforma isso num caso público.
Isso provoca uma reação entre os militares, fazendo surgir a temível expressão “ revanchismo”, com que os militares procuravam se proteger, no caso da abertura democrática em andamento.
Isolado, sem conseguir retomar seu relacionamento com a ex-esposa Lena, sem conseguir mudar seu grupo político, André se sente isolado e perdido. Ao mesmo tempo sente a saúde agravada.

Resolve voltar ao exílio, mas sucumbe a um ataque do coração em pleno aeroporto.